Operação da Polícia Federal em cidades da Bahia (Foto: Divulgação/PF)

Os envolvidos no esquema de desvio de recursos públicos destinados à educação de Jequié, cidade que fica no sudoeste da Bahia, que foi alvo de operação da Polícia Federal (PF), na manhã desta terça-feira (5), podem pegar no mínimo oito anos de prisão, segundo o superintendente da Controladoria-Geral da União na Bahia (CGU), Ronaldo Machado. Eles vão responder por peculato, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistema previdenciário e eliminação de documento público. Entre os alvos da operação está uma ex-vereadora da cidade.

Segundo Machado, durante as investigações foram constatados que 35 funcionários fantasmas, contratados por empresa terceirizada que presta serviço à Secretaria Municipal de Educação de Jequié, eram usados como forma de conseguir apoio político para vereadores envolvidos no esquema. Os nomes dos políticos não foram revelados.

“Foram loteadas unidades escolares para os vereadores, como forma de conseguir apoio político. Nesses pontos loteados, os vereadores escolhiam quem iria ser lotado, mas não necessariamente para trabalhar. Detectamos que em algumas escolas tinham 12 pessoas trabalhando como auxiliar de serviços gerais, mas na prática tinha uma pessoa”, explicou Machado.


De acordo com o levantamento feito durante as investigações, a empresa terceirizada recebeu do município de Jequié, entre 2013 e 2017, cerca de R$ 63 milhões. Deste total, R$ 7 milhões já foram identificados como recursos federais, especificamente de Precatórios do Fundef recebido pelo município. A PF estima um prejuízo aos cofres públicos de mais de R$ 1,5 milhão, só no ano de 2017.

Cinco pessoas prestarão depoimentos nesta terça-feira, incluindo a ex-vereadora. Ela e dois empresários, proprietários da empresa terceirizada que contratava os funcionários fantasmas, serão ouvidos na sede da PF em Vitória da Conquista. Dois sobrinhos da ex-vereadora, que eram funcionários fantasmas, serão ouvidos em Salvador.

O secretário de Educação da época em que as os contratos foram assinados também deve ser ouvido, além dos vereadores. Os contratos foram feitos em 2013, prorrogados e ainda continuam em vigor. Segundo Machado, todo o processo de renovação foi feito sem outras licitações.