O que era para ser a realização de um sonho virou pesadelo para 17 formandos do curso de Administração da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), que programaram a colação de grau e a festa de formatura para o último sábado (16), mas foram lesados pela empresa Realeza Produções e Eventos, contratada para organizar o evento. Os alunos só souberam no dia que não teriam a festa e tiveram que sair ligando para os 600 convidados para informar sobre o cancelamento. O prejuízo estimado é de R$ 40 mil.

As vítimas prestaram queixa nesta segunda-feira, na 16ª Delegacia (Pituba). Logo após o registro da ocorrência, uma equipe da investigação esteve no endereço da proprietária da empresa, Joseany Batista Santos, e a conduziram para a delegacia. De acordo com a titular da unidade, Maria Selma Lima, a acusada foi interrogada e liberada em seguida. “Já abri o inquérito, vou terminar de ouvir as vítimas até quinta-feira e depois vou representar a Justiça com o pedido de prisão”, explicou a delegada.


Além de responder criminalmente, Joseany também vai responder civilmente, já que os formandos estão se organizando para entrar com uma ação coletiva contra a empresa.

A integrante da comissão de formatura, Juliana Tolentino, 38 anos, idealizou cada momento do grande dia. Gastou R$ 900 com o vestido que usaria na formatura, alugou roupa para os filhos, fez o irmão vir do Rio de Janeiro para o evento, gastou com lembranças, mas o sonho dela não foi concretizado. A realidade foi bem cruel. No dia que esperava estar celebrando com os amigos e familiares, se viu ligando para professores e convidados para comunicar que não teria mais solenidade nem festa.

O contrato com a Realeza Produções e Eventos foi fechado em dezembro de 2016, mas só recentemente que os problemas começaram a ocorrer. Mas precisamente, na última sexta-feira, quando deveria ocorrer o ensaio da cerimônia de formatura, em um hotel, em Patamares. Ao chegar lá, os alunos ficaram sabendo que o ensaio não poderia ocorrer porque a empresa não pagou os R$ 6,5 mil acordados do aluguel do espaço.”Ficamos ligando e ela só dizia: ‘estou indo, estou indo’, e nunca chegava”, contou a formanda Najane Barreto, 56 anos.

Segundo ela, Joseany propôs então realizar o evento na parte de cima de uma churrascaria na Boca do Rio, mas nem lá deu certo. “Não teve solenidade, não teve festa, não teve nada. É triste demais. A gente sonhou com aquilo”, conta Najane, acrescentando que um irmão dela veio do Rio especialmente para a formatura que não aconteceu.

“A gente passou noites sem dormir sonhando com essa formatura. Estava todo mundo feliz e, de repente, esse pesadelo. Imagine, consegui me formar nessa idade, pense na expectativa. Para a família, que é humilde, é algo muito importante. Formei com muito sacrifício pagando faculdade particular e agora essa frustração”, lamenta.