Delegado Giniton Lages fala durante entrevista coletiva sobre o caso Marielle Franco: responsável pela primeira parte de investigação estava "esgotado", segundo governador Wilson Witzel

Em evento no Palácio Guanabara nesta quarta-feira, o governador do Estado, Wilson Witzel, afirmou que o delegado responsável pelas investigações sobre a morte da vereadora Marielle Franco, Giniton Lages, foi deslocado do cargo como titular da Delegacia de Homicídios da Capital para se dedicar a um “programa de intercâmbio” com a polícia italiana.

Ao fim da cerimônia, no qual pesquisadores do Museu Nacional tiveram bolsas de emergência outorgadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Witzel afirmou que Lages foi convidado pessoalmente por ele na terça-feira, quando a polícia civil prendeu Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, respectivamente o assassino de Marielle e o motorista que conduziu o carro utilizado no crime.

De acordo com Witzel, Lages estava “esgotado” após conduzir as investigações da primeira etapa do caso e, com a chance de “troca de experiência” entre o estado do Rio de Janeiro e outras instituições estrangeiras, como a polícia da Itália e o FBI, o delegado vai ter quatro meses para participar de iniciativas nesse sentido.

— O delegado Giniton trabalhou nesse caso e acumulou muita informação. Nós já estávamos trabalhando em um programa de intercâmbio com a polícia italiana e dos EUA, inclusive ontem recebi o FBI aqui. Então estamos com vários intercâmbios para fazer. Como ele está com experiência adquirida e nós estamos com esse intercâmbio com a Itália exatamente para estudar máfia e movimentos criminosos, ele vai fazer essa troca de experiência. Eu ontem fiz esse convite, para saber se ele poderia ser o elemento de ligação com este convênio e passar quatro meses no intercâmbio, montando um programa de aperfeiçoamento dos nossos delegados.

Witzel descartou qualquer indicação de que Lages foi afastado ou exonerado, afirmando que o delegado apenas assumirá novas funções, iniciando o que chamou de “nova fase”. De acordo com o governador, autoridades italianas também virão ao Brasil para a colaboração, previamente acertada com a ministra da Defesa italiana, Elisabetta Trenta. O convite, ainda segundo Witzel, não compromete o futuro das investigações, ainda que o delegado tenha acompanhado o caso ao longo dos últimos meses, sendo um dos principais nomes.

— Fiz o convite porque ele estava cansado, esgotado. O conhecimento da investigação foi compartilhado com outros delegados. Não foi o Giniton (Lages) que colheu as provas, mas quem direcionou. Neste momento, você colocar outra pessoa que esteja até mais tranquilo para continuar é natural. É uma questão até de melhoria da capacidade investigativa. Neste momento ele tem outra missão: colaborar para disseminar o que foi adquirido.

O governador também não quis comentar sobre um possível substituto de Lages na fase da investigação que procurará definir os mandantes do crime, uma vez que “não interfere” em decisões do tipo.

— Não interfiro na indicação de delegados e autoridades da polícia civil. O máximo que posso fazer é discutir uma estratégia de investigação a partir da minha experiência como juiz criminal, como no caso Marielle. Haviam elementos para a prisão dos executores, então minha orientação foi a de que fizéssemos imediata prisão, até para não perder essa prova — disse o governador.

Sobre acusações que classificou como “o maior absurdo”, Witzel também afirmou que nunca “vilipendiou” a memória de Marielle Franco, e que se ainda não recebeu a família da vereadora no Palácio Guanabara, foi por “uma questão de agenda”. Sobre a nova fase da investigação, o governador afirmou que ela se baseará mais em análise de documentos que na utilização da telemática, técnica que cruza serviços de telecomunicação e que foi utilizada para encontrar os dois executores.

Informações Extra Globo